Um jovem estudante de Macaé resolveu fazer do seu Trabalho de Conclusão de Curso, o temido TCC, algo que pudesse ser aplicado no mundo real e transformasse a vida de pessoas. Flávio Pires Viana estava terminando o curso de mecatrônica quando criou os Óculos Sonar, voltados para deficientes visuais. Eles medem a distância dos objetos através de ondas sonoras. Nossa reportagem conversou com o jovem, que parece ter muita consciência de que é importante pensar no próximo. Confira.
Mania de Saúde – Como surgiu a ideia para a criação destes óculos?
Flávio Pires Viana
– Durante boa parte da minha vida, tracei minha meta com a engenharia. Sempre fui a fim de matemática e física, então, para fins de aprimoramento para ingressar na própria carreira, fiz o Ensino Médio e o Técnico em Mecatrônica no Instituto Nossa Senhora da Glória. O ano de 2018 foi o início do meu aprendizado e amadurecimento. Como estava prestes a dedicar a minha vida como vestibulando, fui mais a fundo para confirmar a minha carreira. Para minha surpresa e de muitos que convivem comigo, fui cativado por outra profissão: a medicina. Mas isso não me fez abandonar meu técnico, uma vez que o universo das exatas me atrai bastante, assim como o da biologia e da química. Estava prestes a finalizar o meu curso, me dedicava bastante aos estudos. Em 2019, sob as tensões do ensino médio, técnico e, principalmente, vestibulares, além de me incentivarem ao meio do estudo, tive a sensação de que poderia enriquecer ainda mais o meu lado social. Estava prestes a me formar no curso técnico e então, para o projeto do TCC, decidi unir as maiores vocações: exatas e biologia. Apesar de ter uma rotina bastante acelerada, nunca cogitei desistir dos estudos, sempre reconheci sua importância para o fortalecimento intra/interpessoal. Por fim decidi criar um projeto que pudesse ir além da robótica. Foi aí que criei os Óculos Sonar: Tecnologia destinada a Deficientes Visuais. 
Mania de Saúde – Como eles funcionam?
Flávio Pires Viana
– A lógica do projeto baseia-se no seguinte contexto: nos óculos, há um sensor ultrassônico capaz de detectar os objetos à frente por meio da emissão de ondas sonoras e que, quando recebidas, enviam sinais, os emissores de sinais (buzzer e o vibracall), que informam o usuário sobre sua distância aos objetos em frente, logo, sua localização de maneira precisa. A estrutura principal se resume nos óculos de segurança e uma lancheira escolar, fora os componentes eletrônicos. Tal tecnologia é recomendada para utilizar junto à guia para que os deficientes visuais, em geral, sintam-se mais confiantes para caminharem. Levei o projeto à AMAC (Associação Macaense de Apoio aos Cegos), uma excelente instituição que necessita ser mais reconhecida. É um exemplo de inclusão social que precisa ser investida em Macaé. 
Mania de Saúde – Qual é a sensação de fazer algo que pode beneficiar a vida de outras pessoas?
Flávio Pires Viana
– Os resultados do projeto foram surpreendentes, todos os cegos, sem exceção, se sentiram mais confiantes, como membro do corpo dos mesmos. Com menos de 100 reais, pude criar um projeto que tem a capacidade de ajudar diversos deficientes, exemplo de que a força de vontade e o reconhecimento do próximo podem extinguir os muros da intolerância e do preconceito e criar um meio mais saudável ao convívio de todos. Gostaria de agradecer a todos que me cativaram. Primeiramente a Deus, e logo minha família e meus amigos, que sempre estiveram comigo para enfrentar as adversidades. Não posso me esquecer da minha antiga e da mais recente casa: o colégio Centro Educacional Souza (onde cursei até o 9º ano) e o Colégio Castelo INSG, onde fui acolhido por todos, respectivamente. Agradeço também aos funcionários salesianos, desde os professores, até a comunicação social do instituto, às moças (“tias”) da limpeza, que sempre conversavam, como à noite, após um dia exaustivo e gratificante, pois me ajudaram a reconhecer a importância de uma sociedade e que nela não funcionamos sozinhos. Nas aulas de filosofia aprendi com Mahatma Gandhi que a essência da vida se encontra no sacrifício pelo próximo – e se queremos presenciar o arco-íris, devemos, primeiramente, aguentar a chuva.

Texto produzido em 18/04/2019