A educação pública brasileira, que atende a uma parcela expressiva de pessoas, atravessa uma crise e passa por vários problemas, como a falta de capacitação dos educadores, de planejamento curricular atualizado, democrático e flexível, de um projeto político-pedagógico eficiente e eficaz que esteja inserido no contexto social e de interação, integração e comprometimento social e econômico da comunidade escolar e outros.
A crise na educação é estabelecida pelos problemas gerados por métodos classificatórios de avaliação, currículos fechados e falta de recursos, materiais, criatividade, motivação – tanto de professores como de alunos –, respeito e valorização das diversas ideias e opiniões. 
O professor e psicólogo Luis Antônio Cosmelli analisa o atual momento e demonstra preocupação com o cenário. “O papel social do professor e da escola mudou no decorrer dos anos, e isso perdeu substância diante da sociedade. A escola passou a ser apenas um ‘depósito de alunos’, que os pais vão lá e deixam os filhos para que a escola cuide, eduque e faça o que bem entender, e ela passou a ser cobrada por isto. Então a escola começou a arcar com um peso que não era dela e que também não era compatível com a sua estrutura. Em resumo, o papel da escola aumentou na questão da educação, enquanto a estrutura e as condições diminuíram. E hoje nos encontramos em uma situação caótica e extremamente delicada”.
Há 25 anos no ambiente escolar, Cosmelli teme pelo futuro da educação, principalmente ao observar que muitos professores têm desistido de lutar pela causa. “Infelizmente, muitos professores estão abandonando a profissão por falta de estrutura e de valorização, e estão buscando outros caminhos. E aí penso que quando ninguém mais quer ser professor, qualquer um pode ser, o que desvaloriza ainda mais. Não podemos jogar a toalha. Precisamos repensar o modelo de educação, a gestão, e buscar fazer diferente”.
Por fim, o professor e psicólogo lamenta a pouca importância dada a educação pelos poderes públicos. “Não existe uma vontade política para uma educação de qualidade. É preciso que a comunidade escolar se una e busque alternativas. Não vamos deixar a escola acabar. A política tem medo quando a comunidade se une. O que ficou para trás não deu certo, mas podemos mudar as ações para um futuro diferente. O momento de crise é de repensar as coisas e fazer diferente”, refletiu o professor. 

Texto produzido em: 20/07/2016