Carlos Henrique Paes e Marcela Tasca - Foto: Mania de Saúde

 

Uma doença que não tem cura e que age silenciosamente pode ser a causa de infertilidade de muitas mulheres. A endometriose é uma doença benigna que se manifesta através do crescimento do endométrio, tecido que reveste a cavidade uterina, fora do útero. O problema ginecológico acomete cerca de 10% das mulheres no período reprodutivo – mais da metade dos casos são diagnosticados entre 25 e 35 anos – e pode ser a causa de infertilidade em até 35% das mulheres que apresentam dificuldades para engravidar. 

O Mania de Saúde conversou com equipe médica que conhece e trata da endometriose em Campos. Os médicos ginecologistas Dr. Carlos Henrique Paes e Dra. Marcela Tasca Barros ressaltaram a importância do diagnóstico precoce para o início imediato do tratamento clínico ou cirúrgico, ou mesmo a associação de ambos, com o objetivo de diminuir os efeitos causados pela doença.

“A causa da endometriose é desconhecida, mas existem diversas teorias. Uma delas afirma que as células endometriais liberadas durante a menstruação podem também refluir através das tubas uterinas, o que é chamado de menstruação retrógrada, se aglomerando e aderindo a outros órgãos fora da cavidade uterina. Na pélvis feminina pode acometer ovários, tubas, ligamentos uterinos, bexiga e intestinos. É essencial que a mulher diante dos primeiros sintomas procure um médico para averiguar”, afirmou Dr. Carlos Henrique Paes.

De acordo com os médicos, a endometriose é assintomática em apenas 10% dos casos. Os sintomas mais comuns são a dismenorréia (cólica menstrual), dispareunia (dor nas relações sexuais) tenesmo (dificuldade para evacuar), disúria (dor ao urinar) e mesmo a infertilidade. E diante da suspeita da doença, o exame ginecológico clínico é o primeiro passo para o diagnóstico, que deve ser complementado com o exame de sangue Ca-125 (não específico para endometriose), a ultrassonografia transvaginal, a ressonância magnética e a vídeolaparoscopia (usada tanto para o diagnóstico como para o tratamento).

O tratamento, por sua vez, se reporta ao uso de analgésicos e antinflamatórios, podendo envolver o uso continuo de pílulas anticoncepcionais com estrogênio e progesterona, causando a interrupção do ciclo menstrual. Os médicos informam ainda que os medicamentos com capacidade de controlar a endometriose são a progesterona Dienogeste (cria um estado similar à gravidez) e o análogo GnRH (cria um estado similar à menopausa). A cirurgia depende da avaliação médica sobre o nível da doença, levando em conta o problema de infertilidade e o insucesso terapêutico através dos medicamentos. 

“É importante ressaltar que a endometriose não tem cura permanente, mas tem tratamento. É comum ver mulheres consideradas inférteis por conta da doença recuperarem a capacidade reprodutiva. O tratamento ou até a cirurgia em alguns casos devolve a qualidade de vida das mulheres que sofrem de endometriose”, declarou Dra. Marcela Tasca.

 

Texto produzido em: 14/05/2014