A grande oferta de crédito no mercado e o despreparo para lidar com as finanças estão levando muitos jovens para o endividamento. O descontrole dos gastos é uma das principais causas para a inadimplência dos consumidores que estão iniciando a faculdade ou saindo das casas dos pais. O Mania de Saúde conversou com o economista especialista em finanças, Ademir Passos, para ajudar os jovens que gastam mais do que recebem.
Com mais acesso ao cheque e aos cartões de crédito, uma realidade diferente de décadas anteriores, os jovens perdem o controle dos gastos. Os que entram na faculdade, por exemplo, sofrem assédio dos bancos e empresas de cartões. Por falta de maturidade ou de conhecimento financeiro, acabam consumindo mais do que deveriam. Porém, quando caem na real, já estão pagando juros elevados e a dívida aumenta mês após mês.
“Infelizmente, o brasileiro de maneira geral não tem uma boa educação financeira e o retrato disto é o que acontece com os jovens nos dias de hoje. Eles são induzidos ao consumo e não a poupar. É preciso ter uma conscientização de consumo e uma leitura básica da economia para se ter uma vida estável financeiramente”, diz Ademir.
Diante da atual circunstância, o economista destaca a necessidade da educação financeira entrar na grade curricular das escolas do país. “Precisamos falar de finanças com todos e de todas as idades. As crianças, desde cedo, precisam aprender o valor do dinheiro e de como devem gastá-lo. Isso vai criar uma cultura financeira que vai mudar a realidade atual de jovens endividados. Para que esta ideia dê certo é necessário chamar a atenção das crianças e despertar o interesse dos adolescentes para o tema. Quem não gosta de dinheiro, não é mesmo? Então, porque evitar o assunto? De como economizar? Do que fazer para o dinheiro render?”.
Segundo dados da Serasa Experian, quase 10 milhões de jovens figuraram na lista de devedores no primeiro semestre de 2016. O número representa 15,7% do total de inadimplentes do país. De acordo com dados do IBGE, o problema é fomentado pela falta de emprego. Nos três primeiros meses de 2016, a taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos chegou a 33,2%. Além do desemprego, a alta da inflação e dos juros indicam a dificuldade dos jovens em honrarem as dívidas.

Texto produzido em: 24/03/2017