Rock na veia

 

 

No dia 13 deste mês, comemora-se o Dia Internacional do Rock. O Mania de Saúde foi atrás de quem anda fazendo o som na cidade e nossa reportagem ouviu Laís Paes, João Felipe e Pedro Neto, que integram uma banda. Eles fizeram uma breve avaliação sobre o cenário do rock em Campos. Pedro acredita que poderia ser melhor: “Eu estou morando em Niterói atualmente e pelo pouco tempo que estou lá, pude perceber que a mobilização é muito maior. O pessoal poderia se juntar mais. É muito comum em Campos você ver as pessoas na platéia julgando quem está tocando em vez de curtir a música”. Laís levanta ainda outra questão: “Em pleno século XXI ainda existe muito preconceito, as pessoas ainda generalizam o rock como algo satânico, acham que todo mundo que gosta desse tipo de som é drogado. Claro que existem bandas com letras violentas, que até incentivam, mas aí as pessoas generalizam. Quando a gente diz que toca Black metal, com pedal duplo, já era (risos)”. Felipe é um pouco mais otimista: “Eu acho que melhorou bastante, há alguns anos eram muito menos pessoas envolvidas com o rock, quase não tinham mulheres nos eventos. Tem casas noturnas dando espaço para as bandas de rock. Mas como os meus companheiros disseram, concordo que ainda há muito que avançar. Eu particularmente não aguento mais ouvir as bandas tocando ‘Losing My Religion’ e ‘Californication’. A gente não sabe até que ponto isso é comodismo das bandas ou imposição dos donos das casas noturnas. Mas de qualquer forma, acho bacana a abertura de espaço para as mais variadas vertentes”.

Laís é vocalista da banda Morning Star e de outro projeto, a Nyx e conta que o pai era músico e que ouvia música desde a barriga da mãe: “Meu pai teve banda na adolescência dele e tocava rock também. Então desde pequena eu ouvia Renato Russo, Raul Seixas, Capital Inicial. Depois eu fui criando um gosto próprio dentro do rock, curtindo mais Nightwish, Epica, Evanescence o chamado rock sinfônico. Como meu pai cantava e eu também tenho um primo que canta, eu comecei a me interessar e fui estudar música, porque não adianta apenas cantar, é preciso ter a técnica”

João Felipe é baterista e faz vocais na Morning Star e diz que o rock “entrou na veia” no primeiro Rock in Rio: “Eu tinha oito anos de idade e vi Ozzy, Iron Maden, AC/DC, e além deles eu também já escutava Blitz, Tim Maia, as influências da época, porque foi um momento muito bom para o rock e para a música em geral. E apesar de eu escutar vários estilos, eu fui me aprofundando no rock, que é o meu estilo predileto”.

O vocalista da Morning Star Pedro Neto também tem na infância as primeiras lembranças do rock’n roll: “Meu pai ouvia muito Jimi Hendrix e aos quinze anos eu comecei a fazer amizade com uma galera que curtia um rock mais pesado, Black metal, Death metal e aí eu fui conhecendo várias bandas diferentes e me identifiquei, acho que por misturar elementos de literatura que eu gosto como Álvares de Azevedo e Edgar Allan Poe. Dentro da banda o estilo que predomina é o Black Metal e o Gótico. A gente colocou no release a definição como ‘Dark metal’, que traz essa atmosfera mais pesada no som. A gente procura nas letras fugir um pouco da questão da religião e colocar elementos da mitologia”.

 

Texto produzido em 10/06/2014