"... após uma cirurgia longa, de quase 12 horas, foi no CTI do HEAA que ele me informou que havia feito a reconstrução e que eu usaria a bolsa entre 6 a 9 meses. Eu não tenho palavras pra explicar o que é renascer, ter novamente a chance de ser o mais perto possível do que se era e poder fazer tudo que se fazia antes, pois escapar de uma amputação dessa magnitude é muito empenho e perícia aliados a coragem de criar novos caminhos, pra quem já não os tinha mais..."

Mona Hamden, 57 anos - Campos/RJ​

Não é raro um paciente chegar para uma avaliação cirúrgica e perguntar sobre a bolsinha de colostomia. Na grande maioria das vezes, essa não é uma dúvida infundada. Porém, muitas confusões ocorrem e, com esse texto, ouso ajudar a esclarecer sobre esse tema. 

A bolsinha é usada para uma comunicação ou abertura, chamada estoma. O estoma é criado cirurgicamente, e no caso da colostomia, comunica o intestino grosso com a parede abdominal; já a íleostomia, comunica o intestino delgado com a parede abdominal. Ambos os procedimentos objetivam o desvio do caminho habitual das fezes. O desvio pode ser definitivo ou temporário, dependendo da parte do intestino que fica sem função ou é retirada. 
As ostomias temporárias, geralmente são em alça, visam um desvio passageiro do trânsito fecal, protegendo uma recomunicação cirúrgica do intestino (anastomose) e são revertidas cirurgicamente após o tempo de convalescença da anastomose. O tempo de repouso, ou convalescença da anastomose, dura em média de seis a oito semanas, e pode ser prolongado, em pacientes com a imunidade baixa, como os que serão submetidos à quimioterapia. Ao final desse período a cirurgia de fechamento do estoma pode ser realizada. Já as ostomias definitivas, geralmente são terminais (terminam em uma única boca de intestino), e ocorrem cirurgicamente em pacientes que têm uma reserva orgânica muito restrita e que não tolerariam uma reconstrução intestinal infectada; ou em pacientes que demandaram a retirada do ânus. Infelizmente, para alguns pacientes muito debilitados, a colostomia definitiva é necessária, em virtude de prezar pela vida da pessoa. Contudo, para indivíduos jovens, de boa saúde, mas que têm indicação de amputação do ânus, há alternativas que podem reconstruir um trânsito de maneira muito satisfatória. A confecção de uma colostomia perineal continente à A. Lazaro (nome da técnica); ou em casos mais selecionados, uma amputação parcial do ânus; ou a ressecção local em concomitância da radioquimioterapia, são estratégias de preservação anal e da continência bastante eficazes e seguras. 
Pois bem, apesar disso tudo, se houver a necessidade de uso de um estoma, a vida segue! Não há grandes guerreiros sem grandes cicatrizes. Converse com seu médico, alternativas seguras existem e devem ser discutidas entre o paciente e o médico.

 

Dr. Haroldo Igreja - É médico cirurgião oncológico titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica