O surto de crianças com microcefalia no Nordeste brasileiro no final do ano passado e início de 2016 causou pânico. E ainda é preciso cuidado para controlar a proliferação do mosquito aedes aegypti, que transmite o zika vírus, causador da microcefalia. Ressalta-se que nem todo caso de zika vírus em uma mulher tem como consequência a microcefalia do seu bebê. O Mania de Saúde entrevistou a médica neuropediatra Dra. Manuella Siqueira para saber o que é preciso levar em conta sobre a microcefalia.
“O alarme (sobre o zika vírus e a microcefalia) não é exagerado. É uma doença muito nova, que está sendo pesquisada e que não sabemos o que vai acontecer. São muitos questionamentos que ainda não têm respostas. O diagnóstico não é fácil e os testes que são feitos atualmente deixam a desejar. Então precisamos ter cuidados”, disse.
Por ser uma doença viral, o melhor tratamento ainda é a prevenção contra o mosquito aedes aegypti. As gestantes devem fazer uso de repelentes e a população deve trabalhar para evitar os focos do mosquito transmissor da doença. E as gestantes que apresentarem febre, manchas pelo corpo, dores articulares e artralgia devem procurar o obstetra para acompanhamento. O diagnóstico intra-útero pode ser feito pelo procedimento de amniocentese, em que se identifica o zika vírus no líquido amniótico.
Caso o diagnóstico de microcefalia dê positivo – consiste em microcefalia os recém-nascidos atermo (nasceram no tempo certo) com medida do perímetro cefálico menor que 32 centímetros –, o tratamento deve ser iniciado logo nos primeiros dias de vida, com acompanhamento profissional especializado. “A microcefalia causa um atraso global no desenvolvimento da criança. Por não ter cura, o tratamento tem como objetivo controlar as complicações, estimular o desenvolvimento de habilidades e garantir qualidade de vida para os portadores da má-formação. O acompanhamento com o neuropediatra e com uma equipe multidisciplinar composta por médicos de diferentes especialidades é imprescindível”, comentou Dra. Manuela, que participou do Congresso Nacional de Microcefalia em maio.
Vale destacar também que a microcefalia pode estar associada a outras condições além do zika vírus, como infecções intra-útero, anomalias hereditárias, abuso de substâncias tóxicas e má nutrição.

Texto produzido em: 23/06/2016