Discutir e cuidar da saúde mental, nos dias de hoje, não é uma opção, mas uma necessidade. Basta lembrar que, no final do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) ressaltou a importância de empresas e gestores do mundo inteiro adotarem iniciativas que promovam o bem-estar físico e psicológico no ambiente de trabalho, além de debater essas ações junto à comunidade, para que o tema da saúde mental esteja cada vez mais na ordem do dia.

Seguindo esse objetivo, o Curso de Psicologia, em parceria com a Liga Acadêmica de Saúde Mental do Curso de Medicina (LASM), ambos do Centro Universitário Redentor, promovem a II Jornada de Saúde Mental, com o tema “Saúde mental e (pré)conceitos: compreendo(-se), trabalhando(-se), transformando(-se)”, uma vez que o dia 13 de maio foi escolhido para um movimento de defesa e Luta Antimanicomial, com vistas à garantia de direitos da pessoa portadora de sofrimento psíquico.
A Jornada aborda, durante o mês, todos esses temas, focalizando também a saúde mental do estudante de medicina, a influência das mídias sociais e comunicacionais na propagação e manutenção de preconceitos, a medicalização da vida, a patologização dos fenômenos humanos (como o sofrimento, o luto, a tristeza), o uso de drogas como alternativa à angústia e ao esvaziamento do sentido de viver.
Denise Ribeiro Barreto Mello, Doutora em Saúde Mental e Coordenadora do Curso de Psicologia da UniRedentor, ressaltou, ao Mania de Saúde, a relevância dessa temática. “No mundo contemporâneo, a maioria de nós, possivelmente, já ouviu falar sobre estresse, depressão, ansiedade, transtornos mentais e outros termos dos quais se ocupam os psicanalistas, psicólogos e psiquiatras. Estes já foram problemas que afetavam apenas pessoas adultas, no entanto, hoje, pessoas de todas as idades (crianças, adolescentes e idosos) sofrem com eles. Também é muito comum pensar em tratamentos farmacológicos. Aliás, o consumo de medicamentos psicotrópicos aumentou assustadoramente na última década, impulsionado, inclusive, pela automedicação, uma conduta de risco adotada por inúmeras pessoas sem a devida condução profissional. Esse contexto provoca certas confusões quando abordamos o tema Saúde Mental. O enfoque dessa área não é somente no adoecimento ou nas propostas terapêuticas, mas, especialmente, nas práticas de prevenção e promoção da saúde que focalizam os estilos de vida e as possibilidades de qualidade e bem-estar na dinâmica que se estabelece no cotidiano, por vezes turbulenta, acelerada e agitada para a maioria de nós”, afirma Dra. Denise. “O enfoque na saúde, portanto, propõe um repensar sobre os comportamentos de risco adotados e intervir sobre eles antes que se tornem transtornos, uma tarefa que poderia ser fácil, se entre nós já não estivessem fortemente enraizadas ideias que criam rótulos, preconceitos e categorizam as pessoas, como ‘o ansioso’, ‘a depressiva’, ‘o louco’, entre outros. Elas se somam à fantasia de uma solução mágica e rápida, que faz com que os remédios sejam uma alternativa acessível, mas nem sempre eficaz quando usados indevidamente”. Para realizar a Jornada, Dra. Denise se reuniu com Dr. Heitor Antônio da Silva, Doutor em Teoria Psicanalítica, Reitor da UniRedentor e Dr. Josélio Gomes de Souza, Doutor em Filosofia e Professor da UniRedentor. Eles ressaltaram o propósito do evento. “O objetivo é mobilizar a comunidade acadêmica para a pertinência e urgência de se pensar em estilos de vida mais saudáveis. Ao mesmo tempo, oferecer a sociedade como um todo informações importantes na tentativa de desmistificar essas ações e propor formas mais saudáveis. Afinal, já disse a poetisa ‘a vida é bela, só nos resta viver’”.

Texto produzido em: 20/04/2018