Dr. Valdebrando Lemos alerta para os cuidados com o rim

Cálculo renal é uma coisa tão comum que grande parte do público nem procura o médico nefrologista para fazer um acompanhamento anual. Mas, além dessa atitude não ser a mais indicada, o rim precisa de muito mais atenção do que as pessoas imaginam. Afinal, várias doenças podem ocorrer em decorrência do mau funcionamento do órgão responsável pelo equilíbrio interno do corpo.

É o que afirma, ao Mania de Saúde, o médico nefrologista Dr. Valdebrando Lemos. “O rim é importante para a manutenção do meio interno, ou seja, o equilíbrio de sódio, de potássio, eliminando os excessos e também o que a gente chama de escórias nitrogenadas, ou seja, os metabolitos finais das proteínas, que é a uréia e creatinina. Se faltar a função renal, vai sobrecarregar o organismo em sódio, em potássio, em uréia, em creatinina e em água. O corpo acaba não eliminando e fica cheio de água, dando, assim, a inchação, o edema, além de sobrecarregar a bomba cardíaca. Então, o indivíduo que tem doença renal crônica é mais sujeito às complicações cardiovasculares. A mortalidade dele é pelo menos 40 vezes maior do que a população geral quando se fala em mortalidade cardíaca e cardiovascular. Ou seja, morte por infarto e morte por derrame, AVC ou AVE”, explica o médico. “Por isso é que, quando a gente vai a uma palestra que está falando de fatores de risco cardiovasculares para o coração e para o AVC, quando não inclui doença renal, a gente chama a atenção. Frequentamos também os congressos de cardiologistas e alertamos sobre isso. Não são apenas os fatores convencionais que influenciam, como fumo, hipertensão, obesidade, falta de exercício físico, vícios alimentares, colesterol elevado etc. Tem a doença renal crônica também, que é um grande fator de risco para a doença cardiovascular”. 

Outro fator relevante, segundo Dr. Valdebrando, é que o rim doente pode ser a causa de hipertensão em algumas situações. “Ele causa hipertensão quando há um estreitamento da artéria renal ou quando há uma doença crônica, tipo uma pielonefrite crônica, decorrente de infecções repetidas não tratadas. Isso provoca hipertensão. Mas é interessante observar que a hipertensão provoca doença renal, agride o rim, ou seja, como se estivesse batendo no vaso ali com uma pressão muito alta. Então, há uma verdadeira destruição da função renal. Todo o cuidado é pouco”.

Para se resguardar, conforme orienta o médico, é essencial fazer o acompanhamento periódico e, anualmente, dosar a creatinina. “A pessoa deve sempre perguntar ao seu médico como está a creatinina. Por ela é que a gente avalia a função renal. Existem fórmulas para calcular e recursos para dosar em 24 horas também. É importante ter isso. Porque, antes, o sujeito tratava sem o nefrologista e até hoje acontece essa situação. Quando vai dosar a creatinina, já está em fase de ir para diálise, sem muito o que fazer. Mas, antes disso, tem muito o que fazer com dieta, evitando drogas que agridem o rim, alguns antibióticos e antiinflamatórios, verdadeiros agressores para o rim quando já há uma lesão estabelecida”. 

Dr. Valdebrando conta que, recentemente, esteve em Boston, EUA, onde ficou claro um mito que ainda persiste em muitos países como o Brasil. “As pessoas acreditam que há mais casos de doença renal, mas a verdade é que existe mais diagnóstico. Isso é internacional. Hoje se faz mais diagnóstico. Antes, por exemplo,  o diabético morria mais cedo. Ele hoje vive mais, está melhor tratado e tem mais tempo para desenvolver doença renal. O mesmo se diz do hipertenso. Então, essas pessoas estão sendo diagnosticadas e isso mostra como a medicina avançou no sentido da prevenção e do tratamento”, finalizou Dr. Valdebrando.

Texto produzido em: 17/06/2015