Nessa época do ano, muita gente usa o protetor solar para ir à praia, como se o produto fosse indicado somente nesses momentos de forte calor. Mas isso é um erro. O uso do protetor deve fazer parte da rotina de qualquer pessoa, não só para evitar os efeitos imediatos da radiação UVB (causadores da famosa vermelhidão de praia), mas sobretudo pela ação dos raios UVA que, embora mais discretos, causam, a longo prazo, diversos problemas à saúde, incluindo aí o melanoma, o tipo mais grave de câncer de pele.
Para abordar o assunto, o Mania de Saúde ouviu a médica dermatologista Dra. Roberta Cesário, que fez vários esclarecimentos sobre o uso do protetor solar, a começar pela maneira como eles se dividem. “Os protetores podem ser divididos em químicos, físicos ou uma associação deles. O protetor químico contém substâncias que penetram na pele, absorvem a radiação e promovem a sua degradação, para que ela se torne menos agressiva à célula. Por isso pessoas alérgicas, crianças e idosos, cuja pele é muito seca, sentem dificuldade de usar esses protetores somente químicos, devido à penetração do produto. Já os protetores físicos são substâncias que ficam sobre a pele, sem penetrá-la ou que penetram muito pouco. Hoje, no mercado, é possível encontrar protetores físicos a base de dióxido de titânio ou óxido de zinco. Eles refletem e dissipam a radiação ultravioleta, sendo indicados, sobretudo, para pessoas com a pele muito sensível e que não conseguem usar o protetor químico. Existem também algumas doenças que exigem uma proteção mais forte e específica, onde podemos lançar mão dos protetores que associam os dois tipos, o físico e o químico”, explicou.
Outra dúvida comum das pessoas diz respeito ao Fator de Proteção Solar (FPS), que vem indicado em forma de número nas embalagens. Muitos desconhecem que o FPS mede a capacidade do produto retardar os efeitos causados pela radiação UVB (que atingem o pico entre 10h e 16h). Sendo assim, um indivíduo que se queimaria depois de 12 minutos no sol, por exemplo, só vai se queimar depois de 2 horas (120 minutos) se protegido com um filtro solar de FPS 10, porque ele tem 10 vezes mais proteção. Essa é a forma que a indústria descobriu para medir o fator de proteção quanto aos raios UVB. No caso dos raios UVA, essa medição não é tão precisa, mas ela tem como base o PPD (Persistent Pigment Darkening), que também aparece nas embalagens de muitos produtos e precisa ter, pelo menos, um terço do valor do FPS. Portanto, um protetor com FPS 30 necessita de um PPD de, pelo menos, 10, para cobrir tanto a ação da radiação UVB quanto a UVA, que é a mais danosa à pele.
Mas qual é a diferença entre as duas? Dra. Roberta responde. “A radiação UVA, por atingir mais antes das 10h e após as 16h, não causa aquela queimadura que a gente sente principalmente quando se expõe ao sol entre os dois horários. Quem causa vermelhidão é a radiação UVB. A radiação UVA não dá essa queimadura. Mas, por outro lado, ela atinge as camadas mais profundas e leva às alterações mais significativas na pele. Isso causa, a longo prazo, o fotoenvelhecimento, que é a perda de firmeza, a flacidez, rugas, manchas, além de dar uma reduzida no sistema imunológico, ocasionando a recidiva de herpes. E, dentre os cânceres de pele, é o fator mais responsável pelo melanoma”, diz a médica. “É importante lembrar que, mesmo em dias nublados, essa radiação UVA penetra na pele. Por isso o protetor solar tem que ser utilizado todos dias. Afinal, o sol não está agindo na pele somente hoje. Ele está fazendo isso desde que você nasceu. É essencial, então, criar esse hábito desde cedo”.
Dra. Roberta ressalta ainda a importância da orientação do dermatologista, que é essencial para obter o melhor uso do protetor. “A escolha do produto tem que levar em consideração o tipo de pele, as características de cada uma e também a área a ser protegida. Às vezes, o rosto é oleoso, mas o corpo é seco, então, não se pode usar o mesmo protetor nesses dois lugares. O médico dermatologista é quem vai fazer essa análise e direcionar o uso mais adequado para cada pele. Até porque existe uma linha muito grande de filtros, em forma de loção, gel, creme, gel-creme, spray, com cor, sem cor, oil free, não-comedogênicos, com hidratação etc. É preciso saber qual deles realmente é o mais indicado para a sua necessidade”, destaca a médica, oferecendo algumas recomendações gerais. “Não adianta passar o protetor e logo entrar na água ou se expor ao sol. O produto precisa de, pelo menos, 30 minutos para fazer efeito. Logo, tem que ser aplicado em casa, antes de ir à praia ou à piscina, sempre com a pele seca. É fundamental, também, fazer a reaplicação de duas em duas horas. Se entrar na água, reaplicar antes desse tempo, porque há alguns produtos resistentes à água, mas só até um certo ponto. A reaplicação é importante porque, depois de duas horas, o protetor perde o efeito. Não adianta passar de manhã e achar que vai ficar protegido o dia inteiro. Não vai. Tem que reaplicar. E sem economia. Se passar uma camada muito fina de protetor, não vai dar a cobertura ideal e sua pele não estará devidamente protegida dos efeitos do sol”, finalizou.

Texto produzido em: 04/12/2017