Em comemoração ao dia do economista – 13 de agosto –, o Mania de Saúde entrevistou o professor e doutorando em economia, Saulo Jardim, para comentar o cenário municipal e nacional, além de avaliar as novas vertentes da economia e o papel do profissional nos setores corporativo, financeiro e também no setor público.
Na ótica municipal e regional, o professor é categórico ao afirmar que é preciso buscar diversificação para oxigenar a economia, aumentando a produção, a oferta de empregos e a receita de municípios como Campos e Macaé.
“Ficamos e ainda somos reféns do petróleo e acabamos suscetíveis à vulnerabilidade do mercado. A crise do petróleo é o retrato disso e a nossa região foi a que mais sentiu. Então, precisamos trabalhar as vocações regionais e assim atrair investimentos. Podemos olhar para o agronegócio, para a coleta seletiva, para a energia renovável, e pensar em como desenvolver atividades que vão reaquecer a economia local”.
Quando o assunto é a economia nacional, Saulo Jardim destaca que o mercado internacional está descrente na retomada econômica brasileira. “O cenário político-econômico do Brasil está estagnado e o impacto é visto na indústria e no comércio. Por ser um ano de eleição é ainda mais difícil. O Brasil precisa de um governo eleito com legitimidade popular, que pense a longo prazo, que tenha um projeto de desenvolvimento econômico voltado para a indústria da transformação com investimentos em ciência e tecnologia”, comenta o economista, salientando ainda que as reformas previdenciária e tributária não são primordiais para o crescimento econômico. “São importantes para equilibrar as contas do governo, mas não são determinantes para a recuperação da nossa economia”.
Sobre a profissão, o professor defende que os novos profissionais conheçam as linhas ortodoxas e heterodoxas, e pede que cumpram com o papel de melhorar a vida das pessoas. “Nenhum projeto econômico, seja de qual escola for, a ortodoxa ou a heterodoxa, está 100% certo. São muitas variantes e vale mais o olhar crítico do economista de entender o que tirar de cada uma para aplicar a realidade em que vive, promovendo justiça social, desenvolvimento econômico e distribuição de renda entre as classes”, finaliza Saulo, lembrando que muitos economistas, depois de formados, optam por seguir carreira acadêmica. “Nos Estados Unidos, por exemplo, o economista que tem doutorado está no mercado de trabalho e não dando aula. Aqui no Brasil é o contrário. Penso que a contribuição poderia ser muito maior e melhor em outros segmentos”.

Texto produzido em: 18/05/2018