A cidade de Campos recebeu competidores de haras da região Norte e Noroeste Fluminense e dos estados do Espírito Santo e Minas Gerais para a disputa da 3ª Copa de Marcha do cavalo Mangalarga Marchador no final de outubro, no Parque de Exposições. O Mania de Saúde marcou presença e registrou a disputa e a confraternização entre competidores, criadores e os apaixonados por cavalos.
“É um evento que cresce a cada ano e que traz mais interessados a cada edição. É um evento bem família e aberto para quem gosta de cavalos, especialmente, claro, Mangalarga Machador”, destaca o presidente do Núcleo dos Criadores de Mangalarga Machador de Campos, Maurício Tavares.
A organização da Copa de Marcha ficou a cargo do Núcleo dos Criadores de Mangalarga Machador de Campos, que tem sede no Parque de Exposições. E, além dela, outros dois eventos fazem parte do calendário do Núcleo: o Encontro Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador do Estado do Rio de Janeiro em março e a Exposição em julho.
A Mangalarga Marchador é considerada uma das raças mais queridas e desejadas no Brasil – e também uma das mais caras. É importante observar algumas questões, como temperamento, porte, saúde clínica e reprodutiva. Além disto, é essencial avaliar a parte física do animal. O olhar deve ser alegre, que não expresse sofrimento ou cansaço, e sim olhos vivos. Os joelhos pelados indicam que o animal tropeça. Outro ponto importante são os cascos. Verifique se são rugosos ou rachados, sinal de sofrimento de enfermidades anteriores. 
“As principais características do Mangalarga Machador são a docilidade e o andamento marchador. A marcha é macia e o cavaleiro quase não se mexe em cima do animal”, explica Maurício. 
A raça Mangalarga Marchador é tipicamente brasileira e surgiu há mais de 200 anos na Comarca do Rio das Mortes, no Sul de Minas, através do cruzamento de cavalos da raça Alter – trazidos da Coudelaria de Alter do Chão, em Portugal – com outros cavalos selecionados pelos criadores daquela região mineira.
A base de formação dos cavalos Alter é a raça espanhola Andaluza, cuja origem étnica vem de cavalos nativos da Península Ibérica, germânicos e berberes. Os cruzamentos dessas raças deram origem a animais de porte elegante, beleza plástica, temperamento dócil e próprios para a montaria.
Os primeiros exemplares da raça Alter chegaram ao Brasil em 1808, com D. João VI, que se transferiu para a colônia com a família real. Os cavalos dessa raça eram muito valorizados em Portugal e a família real investia em coudelarias (haras) para o aprimoramento da raça. A Coudelaria de Alter foi criada em 1748 por D. João V e viveu momentos de glória durante o século XVIII, formando animais bastante procurados por príncipes e nobres europeus para as atividades de lazer e serviço.
Há várias versões para o nome Mangalarga Marchador, mas a mais consistente está relacionada à fazenda Mangalarga, localizada em Pati do Alferes, no Rio de Janeiro. O nome da fazenda era o mesmo de uma serra que existia na região. Seu proprietário era um rico fazendeiro que, impressionado com os cavalos da família Junqueira, adquiriu alguns exemplares para os passeios elegantes realizados no Rio de Janeiro. Quando alguém se interessava pelos animais, ele indicava as fazendas do Sul de Minas. As pessoas procuravam os fazendeiros perguntando pelos cavalos da fazenda Mangalarga e esta referência se transformou em nome. Já o nome Marchador foi acrescentado pelo fato de alguns daqueles cavalos terem a função de marchar em vez de trotar.

Texto produzido em: 01/11/2017