Segundo dados da OMS, no Brasil, cerca de 6 a 10% da população comete suicídio a cada ano. Esse número relativamente alto é razão pela qual todos os dias ouvimos notícias de tentativas exitosas ou não que, por um lado, nos deixam aterrorizados e, por outro, pensativos sobre o que podemos fazer como pessoas e profissionais diante da magnitude do problema. Estima-se que, anualmente, cerca de 20 pessoas são afetadas diretamente pelo ato suicida, podendo alcançar cerca de quatro a oito milhões de pessoas anualmente. 
De acordo com a coordenadora do curso de psicologia da UniRedentor e Doutora em Saúde Mental, Denise R. B. Mello, indiretamente, não é possível aferir os danos com precisão, mas há dados que sustentam um tipo de contágio, ou seja, o suicídio pode dar a impressão de que alguém encontrou uma solução mágica e fácil para todos os problemas da vida e para as situações de sofrimento agudo, atingindo, assim, centenas de pessoas. “Também é uma realidade que atinge hoje todas as faixas etárias – crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos, homens e mulheres indistintamente. Há ainda que se considerar as tentativas de suicídio que não são notificadas, tornando frágeis os indicadores de prevalência do problema. Como seria possível desenvolver ações de prevenção se não conseguimos ainda compreender totalmente esse problema? Esse é um dos desafios que enfrentamos e, apesar da tenacidade epidemiológica, temos muitos indícios de como podemos tratar as questões”. 
Ainda de acordo com Denise, é preciso evitar as rotulações e preconceitos e considerar a multicausalidade que envolve o suicídio, não reduzindo a questão a aspectos morais (coragem ou covardia) ou a presença de transtornos psiquiátricos. “Considerar a distinção entre ideação suicida, plano suicida, tentativa de suicídio ou suicídio propriamente dito pode ajudar a identificar os casos de riscos e a intervir nos dois primeiros momentos para intensificar as ações de prevenção. Os estilos de vida contemporâneos também devem ser discutidos, uma vez que comportamentos de risco, intolerância, individualismo, valorização do ter mais do que o ser, ênfase no consumo, projetos de vida frágeis, baixa tolerância às frustrações, vida estressante são algumas características que impõem um ritmo adoecedor para muitos de nós. Em resumo, elementos socioculturais, psicodinâmicos, filosófico-existenciais e ambientais podem colaborar para a incidência do suicídio e, quando associados à violência, à falta de expectativa de vida, ao estresse ou a algum problema psiquiátrico tornam os riscos maiores”.
Denise prossegue: “Quando tratamos do suicídio em suas múltiplas causas, fica mais fácil compreendê-lo a partir de conjuntos de fatores de risco que podem ser determinantes do processo: os predisponentes e os precipitantes. Os primeiros, também denominados de distais, são aqueles que podem criar um terreno para um processo suicida: tentativas prévias de suicídio, transtornos psiquiátricos, doenças físicas, história familiar de suicídio, isolamento social, desemprego, aposentadoria, perdas sucessivas, abuso sexual na infância, alta recente de internação psiquiátrica. E os últimos, relacionam-se a situações propícias que podem provocar a sequência final de comportamentos que levam ao suicídio; são chamados, também, de fatores proximais pela iminência temporal com o ato suicida, sendo, por isso, os mais percebidos como causa do suicídio: separação conjugal, luto, conflitos familiares, mudanças de situação empregatícia ou financeira, rejeição por parte de pessoa significativa, vergonha ou temor de ser considerado culpado, fácil acesso a métodos de suicídio”. 
Finalizando, a coordenadora afirma que ainda há muito a avançar. “Estudos demonstram que o tabu, a subnotificação, atendimentos malsucedidos, pouca abordagem da mídia, dificuldade de desenvolvimento de métodos preventivos, dificuldade de detecção precoce, abuso de substâncias químicas, entre outros, estão na raiz das dificuldades de tratar da questão. Dar visibilidade ao problema é um passo inicial de extrema relevância, para evitar perda de anos potenciais de vida, reduzir impactos na família e na sociedade. Por fim, ressalta-se que há necessidade de avançarmos em termos de políticas de saúde mental voltadas para a promoção, prevenção e educação, mais do que para doenças ou transtornos. Esta mudança de enfoque pode colaborar para uma mudança da cultura em torno da abordagem do suicídio. E, nisso, nós do Centro Universitário Redentor estaremos sempre empenhados”.

Curso de Psicologia se engaja na campanha do Setembro Amarelo

O Curso de Psicologia em conjunto com a Liga Acadêmica de Saúde Mental do Centro Universitário Redentor em Itaperuna/RJ tem abraçado a Campanha da OMS “Setembro Amarelo”, expandindo-a para todos os seus campus (Campos, Paraíba do Sul, Queimados), tendo por objetivo sensibilizar e informar a população sobre a problemática do suicídio e tirá-la de um lugar de silêncio. Por medo ou desconhecimento, as pessoas fogem do assunto e acabam por não perceber os sinais. 
A instituição cumpre, assim, com o seu compromisso social e acadêmico, aumentando o acesso público e profissional às informações sobre o comportamento suicida. Colabora para sensibilizar a comunidade com relação ao bem-estar integral, às consequências de estresse e gestão efetiva de crises. Enquanto um espaço privilegiado para estas ações, a universidade aborda o problema de forma séria e consistente, embasada em conhecimentos científicos consolidados, tendo como meta a prevenção ao suicídio. Para isso, na primeira semana de setembro as atividades desenvolvidas enfatizarão os fatores de proteção: estilo cognitivo e personalidade (sentimento de valor pessoal; confiança em si mesmo; disposição para buscar ajuda quando necessário; disposição para pedir conselhos diante de decisões importantes; abertura à experiência alheia; disposição para adquirir novos conhecimentos; habilidade para se comunicar); padrão familiar (bom relacionamento intrafamiliar; apoio de parte da família; pais dedicados e consistentes); fatores culturais e sociais (adesão a valores, normas e tradições positivas; bom relacionamento com amigos; colegas e vizinhos; apoio de pessoas relevantes; amigos que não usam drogas; integração social no trabalho, em alguma igreja, em atividades esportivas, clubes etc.; objetivos na vida); fatores ambientais (boa alimentação; bom sono; luz solar; atividades físicas; ambiente livre de fumo e drogas).
A maior contribuição que se espera obter com a Campanha é que, coletivamente, possamos assumir uma postura de não julgar e oferecer, em qualquer caso, atenção, acolhimento, dedicação de tempo e cuidado redobrado. É necessário estabelecer uma boa relação com as pessoas para facilitar a expressão de sentimentos e percepções, sobretudo negativas em relação à vida, às pessoas, ao mundo. Algumas atitudes recomendadas são: nunca considerar que a situação não oferece riscos ou que é apenas uma tentativa de manipulação. É importante manter a calma e fazer com que a pessoa fale, transmitindo a ela uma mensagem de preocupação e compreensão, evitando críticas e posturas preconceituosas.

Texto produzido em: 21/08/2018