O Brasil está entre os maiores consumidores de cosméticos do mundo, mas nem tudo são flores. O aumento no consumo e as maiores opções de produtos também resultam em vários casos de alergia. A médica alergista e imunologista Dra. Grazielle Petrucci revela que cada vez mais pacientes aparecem no consultório listando sintomas após utilizarem itens de maquiagem, bijuteria, cremes e outros.
“Tem se tornado mais comum este tipo de alergia e são vários os produtos, desde esmaltes, lápis de olho e batom a tintas para cabelo, que causam algum tipo de reação alérgica. Por isto é importante saber quais são os materiais que compõem cada produto que usamos. Muitas mulheres chegam ao consultório e nem desconfiam que aquela queixa que ela está me passando pode ter relação com o esmalte que ela usa, por exemplo”.
Os sintomas mais comuns da alergia a cosméticos são eritema (vermelhidão) no local, acompanhado de prurido (coceira) e inchaço, podendo chegar até à formação de bolhas. Às vezes o uso de um produto pode apresentar algum desses sintomas e ser apenas uma sensibilidade dos primeiros contatos com um ingrediente. Dependendo da extensão do quadro, apenas a suspensão já irá reverter a situação. Mas, em outros casos, é importante ir ao médico para indicação de tratamento com cremes e pomadas ou até mesmo antialérgicos via oral.
“Há dois tipos de reações da pele nestes casos: a dermatite de contato irritativa, que é quando a pessoa usa o produto e a pele fica irritada imediatamente, resultando em coceira e queimação; e a dermatite de contato por hipersensibilidade, que é a sensibilização alérgica e não depende de ação irritante ou tóxica do produto. Os sintomas nestes casos são vermelhidão, inchaço, formação de bolhas e até a descamação da pele”.
Para quem tem ou já teve problemas com cosméticos, o mercado tem investido em produtos hipoalergênicos, que raramente produzem reações alérgicas ou irritantes. A médica destaca outras dicas para quem não quer correr riscos. “Com certeza nenhuma mulher espera ter alguma reação alérgica aos cosméticos ao longo da vida. Então é preciso levar algumas questões em consideração, como ver se o produto é certificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), se está na validade e guardá-lo em lugar fresco e protegido da luz solar. E uma coisa muito importante que digo às minhas pacientes é não compartilhar maquiagem com outras pessoas”, finaliza Dra. Grazielle.

Texto produzido em: 15/03/2018