O assunto puberdade precoce tem levado muitas mães a levarem suas filhas ao ginecologista o quanto antes. Se a consulta é recomendada somente após a primeira menstruação, alguns sinais de maturação sexual ligam o alerta e fazem com que meninas entre seis e oito anos visitem o consultório.
Um estudo publicado no periódico científico norte-americano Pediatrics acompanhou mais de mil meninas entre 6 e 8 anos para avaliar o desenvolvimento mamário, que é um dos primeiros sinais de puberdade feminina. A constatação foi de que, hoje em dia, ele ocorre em uma média de idade de 8,8 ou 9,7 anos – muito antes do que há duas décadas, quando começava somente a partir dos 10 ou 11 anos.
Apesar da tendência a se antecipar na população em geral, a puberdade só é considerada precoce quando o surgimento de características sexuais acontece antes dos 8 anos nas meninas. Isso significa o despontar do broto mamário, o crescimento dos pelos pubianos e nas axilas e a menstruação.
“As causas podem ser de forma central, quando há alteração do sistema nervoso, ou periférica, quando está relacionado a outros órgãos, como doença da tireoide, tumores de ovário, distúrbios das glândulas suprarrenais, além da questão da obesidade e do sedentarismo, que provocam alterações hormonais. E junta-se ainda a incitação da sexualidade da mídia e das redes sociais, que acabam por estimular a ativação do eixo hormonal de forma precoce nas crianças”, afirma a médica ginecologista e obstetra Dra. Rachel Tavares, que é especialista em ginecologia endócrina, gravidez de alto risco, reprodução humana e infertilidade.
Mesmo com algumas causas relacionadas, os especialistas estimam que cerca de 90% dos casos de puberdade precoce em meninas sejam idiopáticos, sem origem determinada. “O diagnóstico é através de exame físico, da avaliação do crescimento, da dosagem hormonal, de exames complementares, como ultrassonografia abdominal e pélvica, e avaliação da idade óssea. Só então podemos dizer se o desenvolvimento é normal ou se é um caso de puberdade precoce”, conta a médica, apontando o tratamento mais comum. “Geralmente é com hormônio para inibir o eixo hormonal”.
A puberdade precoce pode desencadear uma série de problemas, como o de estatura, maturação sexual, problemas de fertilidade e aumento do risco de câncer de mama e de ovário na vida adulta, além de uma série de distúrbios na vida social. “As mães precisam ficar atentas aos sinais – broto mamário e o surgimento dos pelos – que antecedem a menstruação e levá-las ao consultório para a avaliação médica, o diagnóstico e o tratamento, caso necessário, a fim de evitar a puberdade precoce e os seus efeitos colaterais”, conclui Dra. Rachel, notando o aumento no número de pacientes ainda na infância. “Tenho paciente que apresentou sinais de puberdade precoce aos cinco anos e que estou acompanhando e tratando. Então é um assunto muito sério e que merece atenção dos pais”.


Texto produzido em: 18/09/2017