Em entrevista exclusiva ao Mania de Saúde, o ex-jogador Amarildo Tavares Silveira, ou simplesmente Amarildo, o “Possesso”, conta histórias de sua vitoriosa carreira

Amarildo, na seleção

 

 

Substituto de Pelé na Seleção Brasileira que conquistou o bicampeonato mundial em 1962, o campista Amarildo voltou à terra natal no início do mês passado e recebeu uma série de homenagens na cidade. O “Possesso”, como foi apelidado por Nelson Rodrigues, em entrevista ao Mania de Saúde, lembrou da Copa de 62, da responsabilidade em entrar na vaga do “Rei”, mostrou esperanças para o futuro do futebol de Campos e contou que foi dispensado do Flamengo antes de atuar pelo Botafogo. Mania de Saúde - Como é para você voltar a Campos depois de muito tempo? Amarildo – Fui convidado para participar do lançamento do livro do Maguinho sobre Copa do Mundo e vim com muito orgulho. Pude rever alguns amigos da minha juventude e que jogaram comigo na base do Goytacaz. Nunca me esqueço da minha infância aqui em Campos. É um prazer voltar a minha cidade e ser bem recebido. Mania de Saúde – Você ficou marcado por substituir Pelé (lesionado) na Copa do Mundo de 1962. Como foi assumir essa responsabilidade e, principalmente, dar conta do recado? Amarildo – Estava lá para aquilo. Infelizmente Pelé não teve condições de seguir naquela Copa. Entrei no ataque formado basicamente por jogadores do Botafogo com Garrincha, Didi, Vavá e Zagallo e isso facilitou a minha participação naquele time. A Seleção não depende apenas de um jogador, mas do grupo de forma geral. O Pelé passou muita confiança. Ele disse para eu jogar como estava acostumado a jogar no Botafogo. E, graças a Deus, deu tudo certo. Mania de Saúde – O que mais te marcou da Copa de 62? Amarildo – Lembro de vários momentos até hoje. O mais marcante, sem dúvidas, foi a emoção em levantar a taça. Estávamos lá para isto e conseguimos cumprir com o nosso dever. Mania de Saúde – Sem Pelé, quem foi o principal jogador da Seleção Brasileira na Copa de 62? Amarildo – Não posso dizer quem foi o melhor daquela Copa. Todo mundo deu o máximo em campo e o Brasil conseguiu o título. Mas é claro que o Garrincha sobressaia em todos os jogos. Para mim ele foi o melhor de todos os tempos, até mais do que Pelé, mas sou suspeito para falar porque o Garrincha jogava comigo e éramos amigos. Mania de Saúde – O apelido de “Possesso” surgiu em uma crônica de Nelson Rodrigues. O apelido caiu bem? Amarildo – O “Pos- sesso” do Nelson Rodrigues era carinhoso. Ele via em mim um jogador guerreiro em campo e que nunca desistia das jogadas. E eu me sentia esse possesso em campo. Gostei do apelido e aceitei com muito orgulho, tanto que sempre dou autógrafo como Amarildo Tavares Silveira, o Possesso. Mania de Saúde – Como você vê o futebol de Campos atualmente? Amarildo – É uma questão de organização. Campos sempre foi um celeiro de craques e de grandes times, só que de uns tempos para cá isso mudou. Espero que os dirigentes se organizem para que o futebol de Campos volte a crescer no cenário estadual e nacional. Mania de Saúde – Poucas pessoas sabem que você saiu do juvenil do Goytacaz e foi para o Flamengo. O que não deu certo no Rubro-negro e como você foi parar no Botafogo? Amarildo - Fui dispensado do Flamengo porque era desobediente. Mas no Botafogo me aceitaram como eu era. O Botafogo me ajudou, me ensinou a ser disciplinado. Eu era flamenguista na infância e sonhava em jogar pelo clube, mas não deu certo e hoje sou botafoguense por tudo que conquistei no Botafogo. Isso (dispensa do Flamengo) aconteceu comigo, com Paulo César Caju e com Jairzinho e o Flamengo deve se arrepender disso até hoje.

 

Quando presente em Campos, craque recebeu o carinho de admiradores, que lembraram sua atuação na Copa de 1962