É um momento delicado, onde inúmeras dúvidas começam a brotar na cabecinha de qualquer adolescente. Quem já passou por esta fase deve se lembrar bem. Além disso, as emoções estão à flor da pele, com hormônios em ebulição. Os pais muitas vezes ficam na dúvida: qual é a hora certa de levar a menina para a primeira consulta com a ginecologista?
Conversamos sobre o assunto com a médica ginecologista Dra. Leila Werneck, que fala sobre as mudanças nesta fase de vida. “Não existe uma idade definida para este primeiro encontro. Nós, médicos, preconizamos que deva ser na transição da puberdade para a adolescência, porque é uma fase em que a menina ainda não iniciou a sua vida sexual. Porque a adolescência é uma fase em que as mudanças psicológicas são bastante intensas. A menina não é mais criança, mas também não é adulta, e se sente um peixe fora d’água. O corpo e a mente estão mudando e este é o momento de levar esta menina ao ginecologista, mas sem forçar a barra. E é bom deixar claro que a ida ao médico de maneira nenhuma estará incitando a uma sexualidade precoce. Pelo contrário, o objetivo é mostrar e orientar determinadas coisas antes que a menina comece a ter a cabeça voltada para este foco”.
Dra. Leila fala ainda sobre como deve ser este primeiro encontro. “A mãe muitas vezes fica nessa dúvida e não sabe bem como abordar o assunto das transformações que a garota está passando. Por isso eu sugiro que leve a filha ao ginecologista, mesmo que não seja para uma consulta, mas para que ela se familiarize com o ambiente e conheça o médico. Porque você trazer uma menina de dez anos para uma consulta ginecológica sem ela conhecer o profissional, em um local desconhecido, numa posição desconfortável, acaba sendo invasivo. Esta primeira consulta deve ser antes da menarca (a primeira menstruação), que acontece geralmente quando os caracteres sexuais secundários já estão mais ou menos desenvolvidos, e é um marco. Porque a partir daí a menina passa a ter ovulação e precisa entender o que está acontecendo com o corpo dela. É um encontro para ter conhecimento”.
Dra. Leila, que fez Mestrado em Orientação Sexual de Adolescentes, oferece mais detalhes dessas transformações. “O adolescente é um ser à parte, que não é adulto e nem criança. Ele não se vê inserido em nada e se sente rejeitado, feio, sozinho no mundo, desajustado, tem distúrbios de humor. É preciso saber lidar com este momento. Por isso é importante a ajuda de um médico. No primeiro encontro, a menina pode vir com a mãe, mas deve-se orientá-la de que, em um segundo momento, se ela quiser, pode entrar sozinha, enquanto a mãe pode ficar aguardando na sala de espera. Isso facilita a relação com o médico e a menina fica mais à vontade para tirar as suas dúvidas. Nesta fase, a libido da adolescente começa a despertar e ela pode se sentir inibida de perguntar determinadas coisas na frente da mãe”, esclarece. 
A médica comenta sobre as principais dúvidas das meninas ao chegar ao consultório. “Elas questionam sobre a menarca, se vão ficar com o corpo com estrias, se vão poder ter filhos e têm dúvidas sobre Aids e DSTs. Porque alguém conhecido teve, ou uma colega engravidou com 13, 14 anos. E elas perguntam sobre a contracepção também. Muitas dessas meninas não têm orientação nenhuma e se preocupam apenas com o anticoncepcional para não engravidarem, mas se esquecem das DSTs. Por isso o médico deve alertar para a importância do uso do preservativo. Além disso, outra informação importante é o que pode acontecer com o corpo no caso do uso indiscriminado do anticoncepcional. A menina que vem ao médico vai ter a informação adequada para usar o remédio certo para o seu corpo e a sua idade. Aquela que não tem essa orientação, começa a consumir qualquer um que compra na farmácia, sem saber os efeitos colaterais e a contraindicação daquele medicamento. Então é importante manter um diálogo aberto em casa, mas também trazer ao médico para estas orientações”, finaliza a médica.

Texto produzido em 19/02/2019