Atualmente, salvo se você viver todo o seu dia a dia envolvido com o mundo da música, ficou impossível conhecer e saber de todos os que estão fazendo sucesso ou mesmo já ganhando um lugar ao sol neste emaranhado que é a música no Brasil e no mundo. Isto porque a gama de gostos e de sons é enorme, além de encontrarmos artistas fazendo sucesso em alguma parte deste país-continente e, ao mesmo tempo, sendo totalmente desconhecido no centro ou no sudeste da nação.
A música popular brasileira tomou um caminho próprio, não só importando e mesclando gêneros, como também criando linhas harmônicas tão diferentes e por vezes tão bizarras, que acompanhar e entender o atual universo musical ficou impossível. No Brasil temos platéia para todos os gostos, seja do autentico “chorinho”, a única música tida com criação e original de nossa terra, até ao mais infame do “funk”, com sua batida imutável e de letra grosseira.
Resultado deste quadro é que a concorrência na mídia virou uma guerra de leão e nem sempre quem devia ser ressaltado realmente aparece, o que criou uma legião de “semi-famosos” e só um trabalho ou outro que mereça aplausos surge vez por outra. Mas, este desesperado movimento de  montanha russa que virou o mundo da música, onde alguém surge do nada, tem um sucesso fugaz e desaparece na mesma velocidade em que apareceu, provoca sérias conseqüências na história da MPB, vez que não solidifica, não consolida o artista, seja compositor ou cantor.
Um artista não se forma do dia para a noite. A carreira de um artista, principalmente um compositor, passa por uma fase de aceitação popular, sem nunca estar desvinculada do amadurecimento musical. Nesta fase relâmpago que está vivendo a MPB, não está havendo esta consolidação, este amadurecimento e, por conseguinte, a qualidade fica comprometida e não teremos uma linha histórica para daqui a vinte anos, como temos dos artistas famosos de anos passados.
Quanto ao futuro, temos que, se buscarmos um Ary Barroso, um Lupicínio Rodrigues, Jobim, Vinicius e outros deste naipe, veremos que todos fizeram uma trajetória ascendente e ajudaram a escrever uma página do livro da música brasileira. Todos têm uma biografia musical, uma fase de consolidação e um amadurecimento até atingir o limite da genialidade. Atualmente, face a linha de consumismo e de imediatismo, onde tudo é momentâneo, não havendo a consolidação, deixa de ser formada a sequência histórica, deixa de existir a possibilidade de se acompanhar a evolução do artista.
Daí que, pelo lado histórico, pelo lado do pesquisador musical, os atuais caminhos da MPB me parecem sombrios. Tenho grande receio de que uma gama enorme de coisas boas sejam perdidas, por não conseguirem projeção ou por ficarem restritas a pequenos grupos, enquanto um mar de porcaria inunda a mídia e vai sumir do dia seguinte, sem deixar memória.

Texto: 20/05/2016