Em maio, como tantos brasileiros, fui surpreendido pela morte de Alberto Dines, vítima de pneumonia. Figura já mitológica na imprensa brasileira, ele contrariou a nossa tradição provinciana de colocar, no rol dos grandes jornalistas, figuras excêntricas ou megalômanas (a exemplo de Assis Chateaubriand), como se a métrica profissional devesse ser pautada mais pela extravagância do que pelo exercício de um jornalismo ético e livre de vaidades. Alberto Dines dignificou o jornalismo brasileiro pela retidão. 
Em vez de se eternizar pelo exercício do patronato (é bom lembrar que ele dirigiu importantes redações em momentos chaves do país), o autor de “A morte no paraíso” entrou para a história quando colocou a ética profissional acima de tudo, a ponto de se tornar crítico da própria imprensa, ciente de que o jornalismo só é relevante quando se faz necessário (e é útil) à sociedade. O resto é silêncio, como diz o bardo.
Mas o que chamou minha atenção, ao ver as homenagens a Dines, não foram os grandes lances do mestre nas redações do país. Foi lembrar do programa Roda Viva, em 2012, quando ele afirmou que “inteligência vende” e que o Brasil quer “inteligência da imprensa”. 
Na ocasião, cheguei a trocar alguns e-mails com a equipe dele, tentando viabilizar uma entrevista para falar desse e outros assuntos. Educadamente, Dines respondeu que estava ocupado com a reedição de seus livros, mas agradeceu pelo interesse em seu trabalho, que era constantemente requisitado mundo afora.
Essa lembrança me vinha à cabeça quando, no mês passado, o próprio Roda Viva liberou a íntegra da entrevista com Armando Nogueira, feita em 1990, logo após sua tumultuada saída da Globo. Quem se lembra dele?
Armando Nogueira foi um dos principais jornalistas do país na segunda metade do século XX e até hoje é lembrado pelo texto hábil e primoroso, que canalizou para a cobertura esportiva. Mas Armando ganhou uma notoriedade maior ao comandar o telejornalismo da Rede Globo por muitos anos, onde ajudou a moldar boa parte do que a emissora produz até hoje nessa área. Ele ficou conhecido, e muito, como um dos jornalistas mais bem-sucedidos de sua geração.
Entretanto, mesmo sendo bajulado como um todo poderoso da televisão, Armando demonstrou imensa humildade no Roda Viva, revelando tristeza ao constatar que, desde o início da TV no Brasil, houve um equívoco dos jornalistas em valorizar demais a imagem, em detrimento da palavra, esta sim capaz de expandir conceitos, em vez do mero apelo visual, que é passageiro. Armando defendeu, explicitamente, a necessidade de os jornalistas se armarem de leitura, independente do meio em que exercem o ofício, pois é da palavra que vem o conhecimento. 
Ao me deparar com esses ensinamentos, lembrei-me logo de Sylvio Muniz, fundador do Mania de Saúde, que hora ou outra se referia a Dines e a Armando (entre outros) ao fazer alguma reflexão sobre o nosso ofício. Ele sempre dizia que, guardada às devidas proporções, buscava fazer, no jornal, aquilo que aprendeu com os grandes mestres: trabalhar um jornalismo pautado na ética, na inteligência, no exercício da cidadania e que fosse, de fato, útil aos seus leitores.
Essa missão, felizmente, está sendo bem cumprida, como atestam os diversos depoimentos espalhados ao longo desta edição. Foi interessante ver, por exemplo, Dra. Ana Maria Pellegrini lembrando que a credibilidade do Mania de Saúde, em tempos de tantas notícias falsas, “é um bem precioso”. Ou Douglas Fonseca, Diretor do Colégio Centro de Estudos, ao dizer que o jornal se destaca pela forte relação estabelecida com o público, o que explica a efetividade em tornar conhecidos os profissionais das mais diferentes áreas. Mesma opinião de Dr. Carlos Bacelar, do Plínio Bacelar, parceiro do jornal desde o primeiro número. Ele ressaltou a ética do Mania de Saúde no jornalismo e na publicidade, fatores que incentivam o Laboratório a sempre renovar a parceria. Palavras semelhantes do Reitor da UniRedentor, Dr. Heitor Antonio da Silva, que se referiu ao Mania de Saúde como um “veículo bonito, inteligente e essencial para a nossa região”.
Em tempos onde tantos usam a publicidade como mero meio de lucro ou utilizam o jornalismo como fonte de propagação de inverdades, ver o Mania de Saúde sendo cada vez mais referido como fonte de informação confiável e de credibilidade é o melhor presente que poderíamos ganhar nesses 27 anos. A todos os nossos leitores, parceiros e amigos, o nosso muito obrigado. 

Texto produzido em: 24/05/2018