Numa tarde abafada e ameaçando chuva, nossa reportagem chegou ao Teatro de Bolso para conversar com Fernando Rossi, conhecido diretor teatral da cidade e que há um ano tem o desafio de manter o Teatro de Bolso a pleno vapor. E o trabalho por lá não para. 
Antes de receber o Mania de Saúde, o diretor estava em reunião com a equipe, traçando as metas para as comemorações do aniversário de 50 anos do teatro. Fernando falou um pouco sobre sua história afetiva com o local. “Comecei minha carreira dando os primeiros passos aqui, em 1975, no primeiro festival de teatro infantil. Eu já fazia parte de um grupo de teatro da minha escola, o Nilo Peçanha, que tinha direção da Dona Vilma Rangel Braga e Dona Ieda Duncan. A década de 70 foi um período muito efervescente culturalmente na cidade e o Teatro de Bolso era uma referência. Já não existia mais o antigo Teatro Trianon, demolido em junho daquele mesmo ano. Toda a vida cultural da cidade passou a ser centrada no Teatro de Bolso, com festivais estudantis, universitários e outros eventos importantes. A minha estreia foi com o espetáculo infantil ‘A bruxinha que era boa’, da Maria Clara Machado. Foi uma experiência incrível. Percebi que era aquilo que eu queria fazer da vida. Existia também, nesta época, o Teatro Escola, do professor Orávio. Conheci, neste período, a Tânia Pessanha, que estava neste mesmo festival com ‘Pluft, o fantasminha’. Dorinha Viana estava com o grupo do IEPAM, se apresentando com ‘Chapeuzinho Vermelho’. Foi um momento em que surgiram muitas pessoas que vieram a se tornar peças importantes na cena cultural campista”, disse.
O diretor fala ainda sobre a importância do espaço na memória da cidade. “Nestes 50 anos de teatro, é incrível ver como ele mexeu com a vida e a realidade de uma gama enorme de pessoas. Eu mesmo cheguei a ver Dercy Gonçalves aqui, neste palco, divertidíssima. Montagens inesquecíveis do saudoso Kapi, do professor Orávio com a Faculdade de Medicina, da Tânia Pessanha com a Cia de Arte Persona, do Felinho com a Faculdade de Direito. E é sempre emocionante ver textos de grandes autores nacionais sendo encenados neste espaço como Gianfrancesco Guarnieri, Vianinha, Nelson Rodrigues. Por isso eu considero este palco sagrado. Nunca me passou pela cabeça assumir a direção do Teatro de Bolso. A minha batalha sempre foi para que este teatro estivesse de portas abertas. Por isso doeu tanto vê-lo fechado por três anos. Foi uma atitude criminosa com a cidade e seus artistas, que querem mostrar o seu trabalho. Além, é claro, da ligação afetiva que existe com o teatro. Neste um ano que estou à frente do Teatro de Bolso, o desafio foi para mantê-lo como espaço democrático, onde todos tivessem condições de mostrar o seu trabalho. É neste sentido que estamos caminhando, tanto na relação com os artistas como com a equipe que mantém o teatro funcionando. Nós ficamos muito felizes quando, em janeiro, abrimos a solicitação de pautas para o ano e a procura foi gigantesca. Estamos com a programação fechada para o ano todo, com 46 agendamentos. Isso significa 46 produções, fora o Curso Livre de Teatro que acontece aqui e a Escola de Práticas Artísticas, uma parceria com a Secretaria de Educação, com alunos da rede pública. Estes números são uma prova cabal de que sempre existiu a demanda para a ocupação do teatro”. 
Programação especial – O Teatro de Bolso está com uma programação especial para comemorar este aniversário de 50 anos. Você confere tudo no site https://www.campos.rj.gov.br/ ou na página do teatro no Facebook, www.facebook.com/tbprocopioferreira/ 

Texto produzido em: 25/03/2018