Opinião do Editor

Queijo

Um salve a Iberê Camargo

Alguém notou que o Congresso Nacional é capaz de gerar notícias menos alarmantes para o país? Uma delas ocorreu no dia 20 de setembro, na sala da presidência da Câmara, onde o deputado Fábio Ramalho montou, para seus pares e para a imprensa, uma mesa com queijos artesanais e linguiças fritas. Os produtos (assim como o parlamentar) vinham de Minas. Farra com dinheiro... (continua)

Index post

La Rochefoucauld estava certo?

Nada mais estranho do que falar sozinho, não é mesmo? Ainda bem que a crônica é uma conversa… Por isso me dirijo tanto a vocês. Será que assim nos livramos da fatalidade tão bem descrita por Fernando Sabino? Ele era fã de jazz e admirava a união provocada pela música, que dependia apenas de improvisos alheios, muito diferente da solidão de quem... (continua)

Ratos

Não é uma lição?

  Michel de Montaigne é o aristocrata francês que virou a filosofia de cabeça para baixo ao escrever o seu tão celebrado Essais (Ensaios), lá pelos idos de 1580, quando o Brasil ainda engatinhava como civilização. Montaigne se distinguia por, entre outras coisas, igualar os homens e os animais num tempo em que essa ideia era praticamente uma heresia. “Temos que reconhecer... (continua)

Rubem

A voz de Rubem Fonseca

Eis que meu amigo Rogério me pede um depoimento sobre Rubem Fonseca. O Rogério e outros leitores vieram falar comigo da crônica em que narrei a trajetória do Otto Lara Resende, publicada na edição passada. Não foi inteiramente sobre o Otto, mas vá lá. Quem julga não sou eu. Mas quis saber o motivo do apreço. Foi surpreendente a história do Otto,... (continua)

Otto

Vocês me fazem lembrar do Otto...

Quem é um pouco mais velho, ou conhece bem o cronismo brasileiro, deve se lembrar da figura saudosa de Otto Lara Resende, um dos “quatro cavaleiros de um íntimo apocalipse”, na definição de Drummond (os outros eram Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino). Este epíteto, aliás, era sugestivo: os quatro mineiros saíram de uma Belo Horizonte... (continua)

Dia nacional da poesia 2

O prazer do poema

Quem me lê neste espaço, ou me conhece há algum tempo, deve saber da minha ligação com a poesia. Pois bem. Hora ou outra algum amigo me pergunta qual é a graça de ler poemas ou de valorizar poetas mais do que algum ídolo da atualidade. Vou dizer o por quê. Mas, antes, preciso fazer um adendo. Ou melhor, uma confissão: tenho a maior pena dos jovens que idolatram... (continua)

Saramago

Alguém já viveu a tua vida hoje?

Alguém já viveu a tua vida hoje? Talvez você nunca tenha se questionado a esse respeito, mas certamente passou – e passa – por inúmeras situações em que os outros tentam decidir a tua vida por você.  O julgamento que as pessoas têm uma das outras é, desde tempos imemoriais, a maior causa de incompreensão entre os homens. Basta ler as... (continua)

Gabriel garcia m%c3%a1rquez 1

Mais estranho do que a ficção

Até pouco tempo, debater a identidade nacional era quase um dever cívico para muitos brasileiros. Que país é este, não é mesmo? Lembro-me de que, na faculdade, não eram poucos os que iam à biblioteca atrás de Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda, na tentativa de captar as raízes do Brasil.   Mas vejam só, que coisa. Desde as... (continua)

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No calor de um fevereiro crônico

Dizem que palavra tem poder. Isso é quase um ditado popular, aliás. Algumas pessoas creem em ditados; outras, nem tanto. Um cético diria que são recursos frágeis para, numa frase, remediar os percalços da vida. Já crianças adoram ditados, filosofam sobre eles como alemães. Melhor não ser cético, portanto... Mas o que eu queria falar não era isso. Eis... (continua)

Crianca lendo

Deixe o menino ler!

Cara senhora, Perdoe-me por lhe importunar. Você não me conhece, nem eu a conheço, mas não pude deixar ouvir sua reprimenda, na livraria.  Seu filho pediu um livro, entusiasmado, mas, ao invés do presente, recebeu uma negativa. “Você tem um monte de livros que ainda não leu!”, foi o seu argumento, proferido de forma bastante rude, por sinal. Cara senhora, eu lhe... (continua)