Dra. Arlete Parrilha Sendra

Dra. Arlete Parrilha Sendra

(*) Dra. Arlete Sendra é graduada em letras clássicas (português, latim e grego), é mestre em Literatura Brasileira, Doutora em Literatura de Língua Portuguesa e Pós-doutorada em semiótica. Atualmente, é docente e pesquisadora da UENF e membro da Academia Campista de Letras

Superlativamente Lilith

Conta o mito que Lilith, a lua negra, nascera ao mesmo tempo que o Sol e, em igualdade de condições, com ele reinaria sobre a Terra. Acontece que no momento de acaslarem-se, Lilith se recusa a deitar-se sob Adão, vendo nesta posição um indicativo de inferioridade. Discutem. Lilith não se submete. E some. À distância, mas não distante, vigia o passo a passo dos passos de... (continua)

Superlativamente Macabea

Uma filosofia existencial permeia toda a escrita de Clarice Lispector cuja linguagem é, absolutamente, comprometida com o ser em sua trajetória introspectiva e em suas lutas e garras existenciais.  Macabea, de nome judeu, retirante nordestina, perdida entre sonhos que desejos são, é protagonista de uma história que revela o enigma e a relatividade de cada ser humano. Como se desembocasse num... (continua)

Superlativamente Sinhá Vitória

A Sylvio Muniz, in memoriae                                      “Mortos não são os que em doce calma  desfrutam a paz da sepultura fria.  Mortos são os que têm morta a alma, e vivem, todavia.”  Sinhá Vitória é personagem de Vidas Secas, narrativa ficcional... (continua)

Superlativamente Dona Esmeraldina

Dona Esmeraldina, “a mulher dos olhos cor de capim”, é a figura feminina que responde pela trama narrativa em o romance O coronel e o lobisomem, de José Cândido de Carvalho, publicado pela primeira vez em 1964. O enredo é simples. O coronel Ponciano de Azeredo Furtado e dona Esmeraldina vivem um estranho caso que não é de amor, mas de empatia. Ela, pelo bolso do coronel. Ele, pela... (continua)

Superlativamente Dona Flor

Há 50 anos foi lançado Dona Flor e seus dois maridos, romance de Jorge Amado. Como aperitivo, eu lhes conto que foram feitas mais de 50 edições. Conto que o romance foi traduzido para o búlgaro, tailandês, lituano, eslovaco e húngaro, entre outros idiomas, lógico. E conto mais: ganhou as telas dos cinemas com Bruno Barreto e teve uma das maiores bilheterias nacionais de todos os... (continua)

..., mas apenas um? (parte final)

Quando estabelecemos metas, viver se torna uma arte, como se um quadro de Monet fosse. Do traço não planejado nasce o rastro de um voo. Renovamos as cores das telas de cada dia nosso, como se em estado inaugural estivessem. Ou não renovamos cores. Decisão absolutamente pessoal. Afinal, a vida de hoje foi traçada ontem. Quem duvida? E quando lemos a vida, essas constatações se fazem... (continua)

... , mas apenas um? (Parte primeira)

A solicitação veio por correio eletrônico. Era simples: "...precisamos que você nos diga qual o melhor livro de 2015 e sobre ele faça um pequeno comentário". Durante três dias, prazo que me foi dado, eu pensei. E pensei. Apanhei a agenda onde registro o início e fim de cada livro lido e não soube responder. Registro, aqui, o livro que a cada mês mais me... (continua)

100 anos de A metamorfose

 edição de 800 exemplares não vendidos. Entretanto, o mundo literário e a vida moderna documentaram, mais uma vez, a força da ficção. E consagraram a obra. O livro começa assim: “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado de um inseto monstruoso”. O enigma está posto. Que ou quem se... (continua)

Âncoras

Impossível viver sem elas. Instrumentos nossos construídos nas oficinas da vida, em tempos de experimentações do ser, entre embates e utopias, constituem as âncoras nosso imprescindível apoio na travessia, por fluviais águas em remanso, vezes outras por solitárias e profundas extensões marinhas. Hóspede do cada dia, o homem não sabe do seu tempo de... (continua)

Versão tropical: lembrar ou não lembrar: eis a questão

Não assino esquecimentos. Todo momento vivido é patrimônio pessoal, intransferível. É marco de tempo. Material de construção. Rotatória para redirecionamento de caminhos. É trama existencial que entra no DNA da vida e, heraclitianamente, nos faz ser o mesmo em outro.  Narrativa autobiográfica que compomos, o ontem, em diferentes desdobramentos, documenta o... (continua)